O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, tenta costurar um consenso interno para mudar as relatorias dos inquéritos do Banco Master e do INSS, hoje sob responsabilidade do ministro André Mendonça. A movimentação é vista dentro da Corte como uma possível saída para a crise institucional que se arrasta entre os ministros.
Segundo apurou a CNN, Fachin trabalha para criar um movimento capaz de convencer Mendonça a abrir mão das duas relatorias, repetindo o gesto que Dias Toffoli teve em relação ao caso Banco Master no início do ano. A ideia em discussão é que o próprio presidente do STF assuma os dois inquéritos, evitando que um novo sorteio reacenda o desgaste entre os ministros.
Fachin também pretende encerrar o inquérito das fake news, aberto pela presidência da Corte e, por isso, sujeito à decisão do atual presidente sobre seu arquivamento. As trocas de relatoria, porém, dependeriam do respaldo do plenário — e, até o momento, Mendonça resiste a deixar os dois casos.
Como Mendonça chegou às relatorias do Banco Master e do INSS
Mendonça assumiu a relatoria do inquérito do Banco Master em fevereiro de 2026, por sorteio eletrônico, depois que Toffoli pediu para deixar o caso. A saída ocorreu após a Polícia Federal informar a Fachin que havia menções a Toffoli em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira e alvo de busca e apreensão — informação que corre em segredo de Justiça.
Mendonça já era relator do inquérito que apura descontos indevidos de mensalidades associativas nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, investigação que resultou na chamada Operação Sem Desconto e que tem citações a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com isso, o ministro passou a concentrar em seu gabinete dois dos processos mais sensíveis da Corte.
Resistência de Mendonça e divisão entre os ministros
De acordo com relatos obtidos pela CNN, Fachin já sondou colegas sobre a possibilidade de reorganizar as relatorias, mas nem o grupo mais próximo de Alexandre de Moraes nem o de aliados de Mendonça avaliaram a mudança como positiva. Ainda assim, a leitura do presidente do STF é de que os dois lados precisarão ceder para viabilizar uma saída negociada à crise institucional.
A avaliação de Fachin é a de que retirar poderes dos dois ministros em disputa pode não ser a solução ideal, mas seria a alternativa possível diante de uma Corte rachada. O presidente também trabalha para que, caso se forme maioria no plenário a favor de investigar um dos dois ministros, seja ele próprio o responsável por conduzir as apurações — o que evitaria um novo sorteio em meio à tensão interna.
A saída de Mendonça das relatorias do Banco Master e do INSS atenderia a um pleito do grupo ligado a Moraes, para quem o ministro teria perdido condições de seguir à frente dos dois casos.
O inquérito das fake news também está na mesa
Aberto em 2019 pela presidência do STF, então ocupada por Toffoli, o inquérito das fake news tem Alexandre de Moraes como relator e apura ataques, ameaças e a disseminação de notícias falsas contra a Corte e seus integrantes. Desde março deste ano, Fachin já sinalizava publicamente que discutia com Moraes e com os demais ministros um possível encerramento da investigação, hoje com mais de sete anos de tramitação.
“Todo remédio, a depender da dosagem, pode se transformar em veneno.”
Edson Fachin, presidente do STF
Na avaliação de Fachin relatada à CNN, encerrar esse inquérito poderia ser positivo para a imagem pública do Supremo, além de ampliar as chances de uma solução consensuada para o impasse atual — e reduzir a probabilidade de que uma nova investigação seja aberta contra qualquer um dos dois ministros envolvidos na disputa pelas relatorias.
Próximos passos
Até a publicação desta reportagem, nenhuma das mudanças havia sido formalizada. Qualquer redistribuição das relatorias do Banco Master e do INSS depende de deliberação do plenário do STF, e a resistência de André Mendonça em abrir mão dos dois casos segue como o principal obstáculo ao plano articulado por Fachin.





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