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Dino impede Mario Frias de deixar o país em investigação sobre emendas ligadas ao filme Dark Horse

Flávio Dino, do STF, determinou que Mario Frias não saia do Brasil nem mantenha contato com outros investigados em apuração sobre o uso de emendas parlamentares no financiamento do filme Dark Horse.

11/09/2026 01h35 Atualizado 12 horas
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  • O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o deputado Mario Frias (PL-SP) não deixe o país e não mantenha contato com outros investigados em um inquérito que apura suspeitas de irregularidades no uso de emendas parlamentares.
  • A decisão foi tomada no âmbito da Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira pela Polícia Federal, que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
  • Ao autorizar a operação, Dino entendeu haver elementos suficientes para impor medidas cautelares ao parlamentar.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o deputado Mario Frias (PL-SP) não deixe o país e não mantenha contato com outros investigados em um inquérito que apura suspeitas de irregularidades no uso de emendas parlamentares. A investigação trata de recursos que, segundo a apuração, teriam sido destinados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão foi tomada no âmbito da Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira pela Polícia Federal, que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. O caso é um desdobramento das apurações sobre a aplicação de verbas públicas por meio de emendas parlamentares.

O que decidiu Flávio Dino

Ao autorizar a operação, Dino entendeu haver elementos suficientes para impor medidas cautelares ao parlamentar. Segundo a decisão, Frias teria feito uma viagem internacional em momento considerado relevante para a investigação, o que teria atrasado a entrega de informações solicitadas. O ministro também acionou o presidente da Câmara, Hugo Motta, para verificar se a viagem do deputado havia ocorrido de forma regular.

A decisão proibiu Mario Frias de sair do Brasil e de se comunicar com outros investigados no mesmo inquérito. A medida também alcança outras 27 pessoas, entre elas a produtora Karina Gama, apontada como ligada ao projeto cinematográfico.

“Não se pode ignorar, outrossim, que o cenário público nacional, lamentavelmente, deu provas recentes de que a evasão internacional é via cogitada por alguns parlamentares brasileiros ante a perspectiva da persecução penal”, escreveu o ministro.

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O que a PF e a CGU encontraram

A investigação teve início a partir de documentos da Controladoria-Geral da União (CGU), que apontaram irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas apresentadas por Frias a duas entidades ligadas a Karina Gama: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).

Segundo a CGU, parte dos recursos foi direcionada a projetos sociais esportivos em Pirassununga, no interior de São Paulo, mas a execução do objeto previsto não foi comprovada. Já a Polícia Federal diz ter encontrado indícios de que o dinheiro pode ter sido desviado para a produção de Dark Horse.

A PF também apura a movimentação financeira de empresas ligadas a Karina Gama. De acordo com o relatório, diversos CNPJs teriam movimentado valores expressivos nos últimos anos, em montante considerado incompatível com a atividade econômica declarada.

Suspeitas apuradas na operação

  • fraude em procedimentos de contratação;
  • falsidade documental;
  • lavagem de dinheiro;
  • organização criminosa;
  • circulação de recursos entre entidades inter-relacionadas.

No pedido que embasou a operação, a PF descreveu uma estrutura financeira e operacional voltada à movimentação de recursos entre pessoas jurídicas e entidades associadas. As suspeitas ainda dependem da análise do material apreendido e do avanço das diligências.

Quem é atingido pela investigação

Mario Frias é o principal nome político da apuração. Ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro e atualmente deputado federal, ele aparece no centro do inquérito por ter apresentado as emendas sob suspeita. Karina Gama, por sua vez, é apontada como uma das pessoas centrais da investigação financeira.

A Agência Brasil informou ter procurado a assessoria do deputado, sem resposta até a publicação da reportagem, e também buscava contato com Karina Gama. Há ainda uma investigação paralela, sob relatoria do ministro André Mendonça, sobre o repasse de R$ 61 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao mesmo filme, a pedido do senador Flávio Bolsonaro.

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Em outra frente citada nas apurações, o The Intercept Brasil divulgou áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro em conversa sobre recursos para o projeto. Segundo a reportagem mencionada na cobertura original, o senador não negou a autenticidade das gravações, mas disse não ver irregularidade no pedido.

O que acontece agora

Com a operação em curso, a Polícia Federal deve analisar documentos, computadores e outros materiais apreendidos para tentar confirmar a origem, o destino e a finalidade dos valores sob suspeita. Se os elementos reunidos forem suficientes, o inquérito pode avançar para novas medidas cautelares ou eventual responsabilização dos envolvidos.

Por enquanto, o caso não implica condenação. Trata-se de uma fase de investigação em que o STF e a Polícia Federal buscam reunir provas sobre a rota dos recursos e a eventual participação dos investigados.

A apuração sobre o possível repasse de recursos de Daniel Vorcaro ao filme segue em andamento e pode trazer novos desdobramentos.

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